2.01.2008

Por onde anda?

Eu tenho as mãos e os pés atados dentro de mim, qualquer movimento em falso leva-me a crer que sou o que posso e o que posso ser, exito. Tenho luz nos ouvidos e sons na boca que mesmo diante do semblante que me trago faço do homem um reflexo meu, uma noite oculta, de guizos distantes. Passo posto a frente, desejo de corrida, mas vejo nela a falta que faço, nos dias sem fim e sem volta. Uno minhas lembranças, e os nossos abraços de criança, que ficaram escritos em nossos cadernos coloridos. Escola de um dia serem bons amigos, se assim tiver que ser, onde anda você? Que aos poucos se foi e a anos não vejo. Não lembro seu nome, era Andréia, Liliana, Maitê ou Mariana? Tanto faz, adorava ter nomes artísticos. As confissões de crianças adultas, os desejos irrustidos de moleques atrevidos, que com cartas eram expressadas e lidas em céu aberto no parque e na praça. Vanglória minha te ter por um minuto, por um segundo nesses tempos bons de pirulitos voadores, pelo que hoje me esqueço das coreografias que fazíamos, dos beijos de novela de suspirávamos e das brigas que nunca tivemos.

Quieta, lúdica, inteligente, sonhava em ver o mar, dizia nunca amar, pois o amor era para loucos, sim, loucos, e não éramos loucos, éramos leitores de gibis, de livros espíritas, mesmo não entendendo, sabíamos que estivemos juntos em outras vidas. Paciência, balões, verdade, o aniversário que não passamos juntos e o choro da mudança. Tudo se faz hoje distante, minguante, puras lembranças das mais puras aventuras de criança, dos sopros nos machucados meus, dos olhos cruzados nos sermões dos pais seus, das cantigas, das pimentas, dos cafés adocicados de sua avó e dos pés pretos de rua. Marica, Bolêro, Moleques. Foram os dias, as noites, as tardes, os dias inteiros, os pedaços deles. Pelo que não foram, serão e pelo os que serão, tristes somente, pois cadê você? que não vejo mais, que não me faz mais bem, nem mal. Cadê você? Menina Pica-pau.

[suspiro]



(homenagem a uma amiga que se foi e não sei se voltará, minha lembrança, seu apelido era Pica-pau. Meu desenho, animado)

4 comentários:

Aryane: no jardim dos lírios disse...

Coração,seus textos são sempre belos, sempre me arrepio com eles.
A saudade,e a lembrança são coisas que se misturam,a lembrança fica, a saudade nunca é boa,nem ruim, linda homenagem a essa amiga.Adoro seus textos como sempre indecifráveis.

saudades de vc no meu canto, meu menino dos olhos diferentes, e saudade de vc tb.

Aryane....

Kari disse...

Engraçado é que hoje(ontem) escrevi um texto sobre uma amizade que chegou ao fim...
É tão ruim...

Espero que encontres essa "Menina Pica-Pau" por aí... Em uma tarde de domingo, por acaso, no supermercado talvez...

Beijos

Rosangela disse...

Que texto lindo....

Perfeito...Exala um cheiro de saudade....

Beijos no coração...

BABI SOLER disse...

Lindos sentumentos em papel.
Um beijo.