7.04.2008

Momentos Paulistanos...* 04

Morava na Martinho Prado, ao lado da Praça Roosevelt, desceu até a República, e parou enfrente a Planet, uma boate freqüentada por gays, lésbicas, travestis, simpatizantes e os que gostam de falar mal, mas são os comedores das travas, vulgos “machões”. Ele não se importava com aquilo, com esse mundo, pois com seus trinta e cinco anos de idade já havia conhecido de tudo e não se arrependia, porém hoje o que mais gostava eram garotinhas, novinhas, pequenas, apertadinhas.
Ficou no bar, ao lado do posto, tomou uma dose de conhaque, resolveu entrar numa outra boate chamada Freedom, freqüentada pelos menores de idade. Ele se excitava facilmente ao ver aquelas rodinhas de amigos e amigas rindo e ele imaginava por debaixo daquelas roupas coloridas os peitinhos das meninas que ainda se formavam e meninos que os pêlos ainda eram poucos.
Parecia de certo modo um animal, quem lê-se seus pensamentos o compararia com algum maníaco, pedófilo ou pervertido – mas não era. Era apenas um homem que gostava de ensinar aos mais jovens a forma de sentir prazer. Se assim o denomina-se, problema, ele não ligava.
Bebeu. Parado no balcão do bar. Alguns goles. Viu uma menina, loirinha, no centro da pista, entre luzes, neons e fumaça. Excitou-se. Desejou-a. Chamou-a de canto, jogou algumas palavras, ela riu, ele sorriu.
Dark-room.
Ele a abaixou. Ela chupou e ele gostava demais daquilo - “A menina moça é mais sabida do que eu imaginava”.
Beijos. Dedos. Mãos. Saliva. Dentes. Penetração. Escuro. Isqueiros.
E ela também gostou daquele homem, com cheiro de homem, pois com apenas quatorze anos não tinha dado para um homem tão mais velho, ainda mais naquelas condições. Enquanto a pegada acontecia, ela ficava imaginando contar tudo para suas amigas. Entre o suor e os sussurros ao pé do ouvido. Vinte minutos. Saíram e deram um beijo miúdo de tchau.
Ele voltou pra sua casa. Ela dormiu na casa da amiga. Ele assistiu “Philadelphia”. Ela contou tudo. Ele pensou na sua doença. Ela já pensava na semana seguinte e a nova aventura.
Ele morreu dois anos depois, vítima de HIV. Ela pegou o resultado hoje...
Positivo.

15 comentários:

Adriano DiCarvalho disse...

Que triste... Que triste...
Que triste fim - os dois.
Fica o alerta.

Abs, Xaraaa

Ludmila Prado disse...

verdade, jamais desistir dos sonhos, tb tenho uma grande vontade de adotar, se Deus quiser um dia farei, + para uma mulher acho + mágico ter um ser dentro dagente e compartilhar as sensações dele cresncendo dentro dagente.

agora vou ler o post

beijos

Ludmila Prado disse...

caraca, adorei, ou você é muito bom, to me tornado sua fã sabia?

momentos de prazr são bons, fazer loucuras, só que devemos pensar sim nas consequencias para não nos prejudicar, nem tudo que se ve e se sente é aquilo mesmo que é.

vah...em minhas transições disse...

Porque você disse exatamente o que eu precisava ouvir...
OBRIGADA...

pensarei nas dores e prazeres...

seus textos são muito bons e os blogs linkados no seu também, viagem sem fim...(parece irônico neh, mas não é, acredite em mim...)

obrigada mais uma vez, excelente semana pra vc,abraço
carpe diem...
vah=)

Zek disse...

Realista !! mas muito triste como disse o Adriano...

Fica o alerta !!!!!!!

Clara disse...

Adoro..
Carai filhote...
Se ta ficando mesmo muito bom nessa coisa de momentos paulistanos...

Que tal um livro?
Hum?
Um livro
uma arvore
um filho...

rsrsr

Lomyne disse...

O pior é que o desejo é a maior causa de vítimas... Principalmente vítimas de si mesmo.

O Menino Trovador disse...

me lembra um pouco, "Poema tirado de uma notícia de Jornal"

Bjoks

Daah Oliveira disse...

:o
que forte o texto.

Adriano Veríssimo disse...

É Xará...a realidade nem sempre é tão agradável...
rs

Grande abraço



............

Ludmila, desistir dos sonhos jamais, os sonhos dão motivação para a vida...E torço por ti...

E pára com isso de fã! Na escrita sou mero amador que relato o que imagino e o que vejo...É bom neh!?
rsrs

Beijo minha linda


.........

Vah, espero tê-la ajudado, estarei sempre presente, não sei se de certa forma ajudando, mas comentando sempre seus posts e assim conversando contigo para o que for...

Obrigado pelos pontos positivos!
rs

Beijin minha linda!



...............

É Zek...a realidade é assim, FORTE!

Abração


............

Clarinhaaaaaaaaaaa!!
Q saudade meu amor!
Puxa vc é phoda, eu pensei nisso hj, exatamente, hoje, e vc vem com essa...SERÁ CONFIRMAÇÃO?!

Beijin minha linda!!!



..................

É Lo,
O desejo sempre o desejo...
rs

Beijin minha linda



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Mu, não conheço esse livro, mas talvez tenha alguma coisa a ver mesmo...rs

Beijin lindão!



..............

Daah!
Forte neh!?
mas...é o que acontece...rs

marcela p. disse...

§

Dri,
eis o poema ao qual o Mu se referiu:

http://www.casadobruxo.com.br/poesia/m/poemaT.htm

Acho que ele lembrou pelo estilo e não pelo tema.

Eu já disse que os seus textos estão me lembrando os de Feldman, né?

De todo modo, é um estilo apenas seu. E é bom isso, sermos reconhecidos por um certo modo de escrever... como a Clarinha disse, você está ficando muito bom em seus momentos paulistanos e acho que chegou o dia em que leremos algo e diremos:

Nossa! isso lembra os textos do Adriano Veríssimo...

Quanto a esse texto, foi o mais bonito da série.

Beijinhos cheios de saudades!

Olirum disse...

ótimo, perfeito pra refletir, deixar jovens mais atentos a usar a sempre boa camisinha. Parabéns, muito bom.

abraço

Tudo ou nada ... disse...

Forte. Bastante impactante, mas muito necessário.
Abraços

Tudo ou nada ... disse...

Forte. Bastante impactante, mas muito necessário.
Abraços

Adriano Veríssimo disse...

Marcela...Minha linda!
Primeiro: Que saudade de vc! Apareça!!!

Puxa fico mto lisonjeado vindo de uma pessoa tão intelegente, se não umas das mais que conheço. Assim vou me convencer de que é possível publicar "uma semente"...rs

E estou feliz por gostar desse estilo, urbano, de escrever...rs

= )

Minha linda! MEGA BEIJO pra VC!

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Murilo - Olirum...rs
Com certeza, temos o papel, por sermos pessoas conhecedoras, de mostrar através de uma leitura diferente as realidades e as consequências...



Obrigado pela visita queridão!

Abracin

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Luciano, bom vê-lo por aqui!

Sim, é necessário falar sobre, mas de uma maneira diferente do que já se ouve e se torna até clichê.



Obrigado pela visita Luciano!

Abracin