2.09.2009

Caetaneando


Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
Um amor assim violento
quando torna-se mágoa
é o avesso de um sentimento
oceano sem água
Teu corpo combina com meu jeito
nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Existe alguém em nós
em muitos dentre nós
esse alguém
que brilha mais do que
milhões de sóis
e a que escuridão
conhece também
Por entre fotos e nomes
os olhos cheios de cores
o peito cheio de amores vãos
eu vou
por que não, por que não?...

Me larga, não enche
você não entende nada e eu não vou te fazer entender
me encara de frente:
é que você nunca quis ver, não vai querer, não quer ver
Nas cinzas do meu sonho
um hino então componho
sofrendo a desilusão
que me invade
canção de amor, saudade
saudade
Eu te quero (e não queres) como sou
não te quero (e não queres) como és

Domingo é o fino-da-bossa
segunda-feira está na fossa
terça-feira vai à roça

Coisa mais bonita é você
assim, justinho você
Dorme que eu vou te velar
pela noite quieta
como a chama do luar
vela o sono dos poetas
Me senti sozinho
tropeçando em meu caminho
à procura de abrigo
ma ajuda, um lugar, um amigo
Você é meu caminho
Meu vinho, meu vício
Desde o início estava você
Vem meu amor
vem com calor
Não sou nem quero ser o seu dono
é que um carinho às vezes cai bem
Me diz:
Gosto de te ver ao sol, Leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba

Quem não rezou a novena de Dona Canô
quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
quem não amou a elegância sutil de Bobô
quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo

2 comentários:

Renata (impermeável a) disse...

ficou "jóia rara" a montagem...

fiquei com vontade ir para Marrakesh!

rs

marcela (arlequinal) p. disse...

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Eu também ando caetaneando o que há de bom e o que há de mau... mas não reconheci no teu pout-pourri a que melhor me define atualmente... a Tigresa (e não é a del Oriente, que certamente o Hugo já te fez conhecer, rs...). É aquela, que sou eu, e diz que "o mal é bom e o bem cruel"... a mesma eu, que já não acredita em quase nada, perdeu a fé e as convicções e que, ainda assim, dispara besteiras de menina totalmente contraditórias... mas é isso aí... a gente vao tocando... instrumento, vida, punheta...

Foda.

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